Observatório · Edição 2026 Year-to-Date

O estado da Inteligência Artificial em Portugal

Um retrato do uso de IA nas organizações portuguesas, construído a partir de assessments de maturidade aplicados a profissionais em programas abertos e academias corporativas, e lidos pela metodologia FAROL. Esta edição cobre 796 respostas recolhidas entre janeiro e julho de 2026 e compara-as, indicador a indicador, com a edição de 2025.

796 respostas em 2026 YTD 2.479 profissionais acumulados desde 2024 13 programas e academias 19 direções de uma organização inteira

Portugal intensificou o uso de Inteligência Artificial sem alterar a estrutura do trabalho.

A tese de 2026

As pessoas usam mais IA, com mais consciência de risco e em mais tipos de tarefa. Mas fazem-no dentro do mesmo desenho de processo que tinham antes. A tecnologia entrou pelas margens da tarefa individual e ainda não chegou ao centro do processo organizacional.

A consequência é que a pirâmide de maturidade se manteve praticamente inalterada em doze meses, apesar de todos os indicadores de comportamento individual terem melhorado. Sobe-se meio degrau em cada patamar sem passar para o seguinte, porque a passagem para o patamar seguinte não depende do indivíduo.

O bloqueio, em 2026, deixou de ser de literacia e passou a ser de desenho organizacional.

12,4%
usa IA mais de 7 horas por semana
+55% face a 2025
1,9%
são Multiplicadores, os campeões internos de IA
Inalterado
76,3%
nunca integrou IA com outro sistema
Teto técnico intacto
37,8%
compreende bem ou profundamente os riscos
+152% face a 2025
A grelha de leitura

O retrato nacional nas cinco dimensões do FAROL

Fundamentos, Aplicação, Responsabilidade, Organização e Lucidez. Cinco dimensões conjuntamente necessárias, cada uma com a sua pergunta-mestra, aplicadas ao indivíduo, à organização e ao país. A forma deste polígono é o diagnóstico de Portugal em 2026.

Como ler esta forma

A Lucidez está muito à frente de tudo o resto: a disposição individual, a autoeficácia e a ausência de medo são o ativo mais forte do país. Os Fundamentos e a Aplicação são os dois eixos mais curtos: formação estruturada, profundidade técnica, integração e redesenho do trabalho. Portugal quer, e ainda não sabe nem mudou o modo como trabalha.

Ver a metodologia FAROL, os cinco eixos e a composição de cada índice →

Principais insights

Oito leituras que se aguentam com os dados

Cada afirmação abaixo assenta em indicadores comparáveis entre as duas edições ou em séries novas de 2026, com a base indicada na página de indicadores.

Comparação direta

O que mudou e o que não mudou

Doze meses de distância entre as duas recolhas. À esquerda, os indicadores que se moveram de forma significativa. À direita, os que ficaram exatamente onde estavam.

Mudou

Não mudou

Ver os 26 indicadores em série completa →

Tendências emergentes

O que está a começar a acontecer

Quatro números que explicam o bloqueio

A distância entre crença e execução

96,9% dos profissionais antecipa impacto positivo da IA no seu trabalho. Três pessoas em 775 consideram a IA uma moda passageira. A resistência ideológica está estatisticamente extinta. O que resta não é oposição, é inércia.

52,5%
nunca criou um caso de uso próprio com IA
32,7%
dos utilizadores intensivos também nunca criou
74,8%
nunca mostrou a um colega o que faz com IA
60,8%
avalia a IA apenas através de versões gratuitas

Implicação prática

Uma parte mensurável do ceticismo organizacional em Portugal não é ceticismo sobre IA: é ceticismo sobre a versão gratuita. O custo de licenciar adequadamente uma equipa é, quase sempre, inferior ao custo de a manter a avaliar a tecnologia errada.

Portugal vs mundo

O que uma fonte independente diz sobre Portugal

Tudo o que este Observatório mede é autoavaliação. Para testar esse retrato, confrontámo-lo com comportamento observado: o Anthropic Economic Index, que agrega conversas reais com IA por país.

Adoção concentrada, não distribuída

Portugal está no top 20 mundial de intensidade de uso por habitante em idade ativa e, ao mesmo tempo, 57,0% dos profissionais avaliados estão no nível de maturidade mais básico. A reconciliação é a minoria intensiva: 12,4% usa IA mais de 7 horas por semana e é essa fatia que gera o volume nacional.

Duas lentes, o mesmo diagnóstico

Os resultados mais frequentes das conversas portuguesas são documento ou relatório e explicação ou resposta. No assessment, 75,6% aplica IA a e-mail e comunicação e 25,3% a automação de processos. Fontes independentes, mesma conclusão: produz-se conteúdo, não se redesenha trabalho.

Ver a análise completa de Portugal vs mundo →

Edições

Os white papers na íntegra

O Observatório publica uma edição anual e uma atualização year-to-date. Cada edição mantém a estrutura analítica da anterior para que as séries continuem comparáveis.

Dados agregados também disponíveis em formato aberto: dados.json.

Quer saber mais? miguel@miguelbello.ai